terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Pregadores Mercenários - Primeira Parte.


Vivemos no século XXI momentos desconcertantes no que concerne a uma doutrina salutar e ortodoxa bíblica. Temos contemplado Verdadeiras empresas eclesiásticas que têm a cara de pau de denominarem-se Igrejas evangélicas ou protestantes como queiram chamar. Líderes que mais parecem deuses, já que aqueles que os seguem aparentemente ou de fato demonstram uma reverencia demasiada por tais indivíduos. Pregadores que outrora eram paradigmas de simplicidade, humildade e comunhão com Deus, tornaram-se verdadeiros pop stars no meio evangélico sendo dignos até de enriquecerem com a pregação do evangelho. Será que nos esquecemos, ou melhor, que preferimos fechar nossos olhos para aquilo que a Bíblia realmente ensina?

Disse Jesus: E indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai. Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre, em vossos cintos; nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de alparcas, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento (Mateus 10.7-10). Nestes versículos Cristo envia seus discípulos a pregarem o evangelho a nação judaica os incentivando no exercício da fé e dependência em Deus. Cristo dá uma ordem bem clara para eles: deem de graça aquilo que vocês receberam de graça. Quero deixar claro que não somos contra o obreiro receber salário, já que o obreiro é digno de seu salário segundo as palavras de Jesus, porém a Palavra de Deus não pode ser um veículo de enriquecimento ou apoio que permita seus ministros a engodarem o Povo de Deus. Também sabemos da necessidade da Igreja como instituição de possuir receita própria, receita esta que se encontra no bolso de sua membresia, porém o problema jaz na má fé de muitos lideres e pregadores, não apenas daqueles que defendem a doutrina neopentecostal, mas também de muitos outros ministérios denominados cristãos. Fato é que os tais trabalham mais o fator financeiro do que uma vida espiritual salutar dos indivíduos. Devemos estar preparados tanto para o bem quanto para o mal, não podemos servir a Deus apenas por suas bênçãos, mas devemos servi-lo em todas as circunstâncias.

Queremos dividir este problema pós-moderno em duas categorias de falsos pregadores: 1) aqueles que deturpam a Palavra ao seu próprio benefício (engodando o povo indouto) e 2) aqueles que se sentem estrelas ousando cobrar caches absurdos para pregarem ou palestrarem nas Igrejas.

(Esta parte do texto será dedicada exclusivamente acerca do primeiro grupo de indivíduos, quanto ao segundo grupo exporemos o assunto na segunda parte do artigo que publicaremos em breve).

O que falar do câncer denominado teologia neopentecostal? Uns prometem cura outros prosperidade, não há problema em nenhum destes aspectos que, aliás, qualquer ser humano gostaria de possuir, o problema jaz em fechar nossos olhos para os outros pontos de vista bíblicos e que fazem parte da raça humana tanto quanto saúde e riqueza. Tais proponentes da doutrina neopentecostal furtam o direito da Bíblia de dizer apenas a verdade. Os tais encaixam suas ideologias errôneas na Palavra de Deus para engodar a população mais indouta ou desesperada. Não podemos nos esquecer de que o evangelho não fala apenas de cura e prosperidade, mas fala também de sofrimento, morte, miséria, salvação, perseguição, doença dentre outros fatores. Ora, não podemos nos olvidar do que a Bíblia diz: “O que acontece com o injusto também sobrevém sobre o Justo”.

O que me entristece sobremaneira é perceber que ministérios outrora reconhecidos por defenderem a verdade bíblica a todo custo, por medo ou por pura ganância tenham adotado tal doutrina repulsiva com o único intuito de arrebatarem o maior número possível de membros para suas denominações, ou melhor, para seus impérios, afinal de contas, as ovelhas ou o rebanho tornou-se para eles o equivalente a lucratividade financeira.

As Santas Escrituras nos alertam sobre estes pregadores dizendo o seguinte: Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, injúrias, suspeitas maliciosas, disputas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro; e, de fato, é grande fonte de lucro a piedade com o contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos daqui levar; tendo, porém, alimento e vestuário, estaremos com isso contentes. Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição. Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores (1ª Timóteo 6.3-10). Tais indivíduos corrompem o verdadeiro valor dos aspectos espirituais. Os mesmo preocupam-se apenas com o lucro que obterão nem que para isso tenham que passar por cima das ordens divinas encontradas na Bíblia. Seus corações não estão em Deus e muito menos possuem amor pelo próximo, seu amor é direcionado apenas as riquezas.

Devemos estar em alerta quanto a estes ministérios que municiados de pregadores e lideres distorcem a verdade de Deus em prol de suas metas e objetivos que em muitas ocasiões visam apenas à arrecadação financeira. Por estes motivos considero tais lideres e pregadores como mercenários pelo simples fato de corromperem as Santas Escrituras a seu bel prazer com intuitos perversos os quais visam simplesmente o enriquecimento indevido, já que a Palavra de Deus nunca deve ser utilizada com estes propósitos. O apostolo Paulo nos diz “porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos daqui levar; tendo, porém, alimento e vestuário, devemos com isso ficar contentes (1ª Timóteo 6.7-8).

Não devemos com isto ficar desanimados com relação às Igrejas e seus pregadores. Temos sim que ficar atentos aos falsos mestres que deturpam a Palavra de Deus, para isto devemos estar firmados nas Sagradas Escrituras e sermos acima de tudo verdadeiros apologistas bíblicos, não podemos nos calar!

Assim, como Deus preservou 7.000 profetas que não se dobraram a Baal no tempo de Elias, o Senhor preserva verdadeiros lideres e pregadores que se utilizam da Palavra de Deus de uma forma ética e salutar. O apóstolo Paulo no informa em uma de suas epístolas o seguinte: Graças, porém, a Deus que em Cristo sempre nos conduz em triunfo, e por meio de nós difunde em todo lugar o cheiro do seu conhecimento; porque para Deus somos um aroma de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para uns, na verdade, cheiro de morte para morte; mas para outros cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo? Porque nós não somos falsificadores da palavra de Deus, como tantos outros; mas é com sinceridade, é da parte de Deus e na presença do próprio Deus que, em Cristo, falamos(2ª Coríntios 2. 14-17).

O verdadeiro pregador não distorce a Palavra do Senhor em nenhuma hipótese. O verdadeiro pregador não se utiliza da boa vontade alheia para seu benefício. O verdadeiro pregador é aquele que prega, cura, ora, aconselha sem almejar riquezas ou aplausos. Ele sabe que não possui nada de si próprio e que seu dever é entregar de graça aquilo que o mesmo recebeu de graça do Senhor. Não podemos ser falsificadores da Palavra, mas sermos sinceros diante de Deus e das pessoas, este é o nosso ministério.


Soli Deo Gloria!
Pr. Narciso Montoto.

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